Os veículos elétricos (VEs) são uma das tecnologias mais promissoras para reduzir as emissões no transporte global, mas os benefícios que eles trazem dependem da proveniência da energia com que operam. Hoje, muito poucos VEs são movidos por energia renovável. Para que sejam uma opção verdadeiramente ecológica, isso precisa mudar.

A revolução dos VEs está sobre nós. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), o número de veículos de passageiros movidos a eletricidade nas estradas do mundo podem ultrapassar 250 milhões até 2030, enquanto a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) estima que ônibus elétricos e outros veículos de transporte de massa podem chegar a bem mais de 10 milhões.

Como eles têm um motor elétrico em vez de um motor de combustão interna, os VEs não emitem fumaça pelo cano de escape, o que significa que, ao contrário dos veículos tradicionais, eles não bombeiam dióxido de carbono, ozônio e poluição de partículas no ar que respiramos.

Isso é importante porque o transporte é responsável por cerca de um quinto das emissões globais, com viagens rodoviárias respondendo por três quartos desse montante. A maior parte vem de veículos de passageiros – automóveis e ônibus – que contribuem com 45,1%. Os outros 29,4% vêm de caminhões de cargas.

Além disso, esse número só tende a aumentar à medida que o crescimento populacional e as mudanças demográficas impulsionam cada vez mais a demanda por viagens rodoviárias – sem mencionar o aumento do comércio eletrônico, que aumenta a necessidade de frete e de entrega.

Com a Organização Mundial da Saúde (OMS) estimando que a poluição do ar causa uma em cada nove mortes em todo o mundo, transformar nossa matriz de transporte global em uma matriz operada por VEs garantiria um futuro mais seguro e verde para todos – ou não?

Energia suja

Os VEs precisam de algo entre 24 e 50 kWh de eletricidade para percorrer 160 quilômetros, e essa eletricidade vem da rede. Um estudo do Departamento de Energia dos EUA mostra que o aumento da eletrificação aumentará o consumo nacional em até 38% até 2050, em grande parte por causa dos veículos elétricos, em alguns casos, os VEs podem resultar em emissões substanciais de gases de efeito estufa (GEE) ou até mesmo ajudar prolongar a vida útil dos combustíveis fósseis, se abastecidos principalmente com energia gerada por combustíveis fósseis.

Na verdade, um estudo recente da Universidade Tsinghua da China descobriu que os VEs abastecidos na China – onde a maior parte da eletricidade vem de usinas movidas a carvão – contribuem com duas a cinco vezes mais na emissão de partículas e produtos químicos, do que os automóveis com motor a gasolina.

A menos que a eletricidade que alimenta os VEs seja limpa, pois nunca poderão ser uma opção totalmente ecológica.

Com o grande número de VEs que estão previstos para entrar em operação nos próximos anos, é crucial que tanto os usuários quanto as concessionárias encontrem uma maneira de abastecê-los com fontes de energia renováveis. De fato, os VEs podem ser a chave para vincular os setores de energia renovável ao transporte de baixo carbono, para o bem de todos.

Tornando os VEs os maiores compradores de energias renováveis

Em 2030, a quantidade de eletricidade necessária para abastecer todos os EVs será de 640 TWh. Para colocar isso em perspectiva, as mais de 300 empresas globais que assinaram o RE100 se comprometeram a comprar 100% de sua energia de fontes renováveis, o que corresponde a cerca de 220 TWh por ano – ou pouco mais de um terço desse montante.

Isso cria uma grande oportunidade para posicionar os VEs como um dos maiores compradores de eletricidade renovável do mundo. Não apenas isso, mas as necessidades de eletricidade dos VEs podem ser aproveitadas para impulsionar a implantação de mais capacidade renovável em todo o mundo.

O modelo já existe: a aquisição corporativa de energia renovável através de acordos bilaterais de compra de energia (PPAs) criou uma demanda voluntária significativa para novos projetos de energia renovável em todo o mundo. No ano passado, as corporações compraram um recorde de 23,7 GW de energia limpa, contra 20,1 GW em 2019 e 13,6 GW em 2018, de acordo com uma nova pesquisa publicada pela BloombergNEF (BNEF) – e isso ocorreu apesar da interrupção causada pela pandemia de Covid-19 e da recessão global que se seguiu.

Por meio de PPAs, fabricantes de equipamentos originais de VEs (FEOs), operadores de pontos de carga, provedores de serviços de mobilidade elétrica e o número crescente de empresas que estão se comprometendo a mudar suas frotas de veículos para VEs, podem tanto desenvolver soluções ecológicas perfeitas para o futuro, como também facilitar o desenvolvimento de novos projetos de energia renovável – o que, por sua vez, aproximará o mundo do cumprimento das metas do Acordo de Paris.

Não é só a eletricidade que eles utilizam

Não é apenas a eletricidade que alimenta as baterias dos veículos que é importante. Metade das emissões do ciclo de vida das baterias de lítio em VEs vêm da eletricidade utilizada para montá-las e fabricá-las, o que significa que a mistura de eletricidade nas instalações FEO também é uma parte importante da equação. Um estudo recente do IVL, o Instituto Ambiental Sueco, constatou que as baterias de lítio produzidas em regiões com uma rede de carbono zero tinham emissões de 61 kg de CO2 equivalente por kWh de capacidade da bateria (CO2e / kWh). Esse número mais que dobra – para 146 kg – quando a eletricidade usada na fabricação da bateria vem de combustível fóssil.

O benefício climático dos VEs, portanto, não depende apenas de quão verde é a eletricidade usada para carregar sua bateria, mas também da intensidade de carbono da eletricidade usada para fazer essa bateria – criando mais um imperativo para os fabricantes de VEs mudarem para energia renovável.

Uma rede estável

O aumento na utilização de VEs também pode impulsionar o crescimento das energias renováveis de outras formas. Os carros particulares passam 95% do tempo estacionado, e os planejadores de energia estão procurando maneiras de utilizar esse tempo morto para resolver um dos maiores problemas para a expansão das redes renováveis: a estabilidade.

“VEs em grande escala podem criar uma vasta capacidade de armazenamento de eletricidade”, diz Dolf Gielen, diretor do Centro de Inovação e Tecnologia da IRENA. “O abastecimento inteligente, que tanto abastece veículos como dá suporte à rede, abre um círculo virtuoso no qual a energia renovável torna o transporte mais limpo e os VEs dão suporte a quotas maiores de energias renováveis.”

A tecnologia para fazer isso acontecer ainda está em sua infância – até agora, o Nissan Leaf é o único VE de produção em massa no mercado que permite o abastecimento do veículo em rede (V2G). Entretanto, na Atlas, temos o prazer de ver mais FEOs começando a considerar essa capacidade: por exemplo, Hyundai, Kia e Lucid planejam incluí-la em veículos futuros.

Com um bom planejamento e a infraestrutura certa, os VEs podem reduzir as emissões, substituir os veículos poluentes e impulsionar a implantação da infraestrutura de energia renovável e, quando estacionados e conectados, atuar como bancos de baterias, estabilizando as redes elétricas alimentadas por energia solar renovável. Para fornecedores de energia renovável como a Atlas, isso nos dá a oportunidade de fornecer quantidades cada vez maiores de eletricidade limpa para um número crescente de setores industriais.

Um indutor da eletrificação

À medida que os governos em todo o mundo revelam planos para acabar com a venda de veículos a gasolina e a diesel, não demorará muito até que os veículos elétricos sejam a base do transporte público e privado. De carros elétricos privados a frotas de táxis comerciais e ônibus elétricos autônomos, os VEs estão redefinindo rapidamente o mercado.

O que é realmente empolgante nisso é o que isso significa para a demanda geral de eletricidade. As projeções da AIE mostram que a demanda global de eletricidade crescerá em mais de um terço até 2040, principalmente devido à adoção de VEs, o que levará a demanda de eletricidade para o transporte de praticamente nada para 4.000 TWh por ano. Isso aumenta a participação da eletricidade no consumo total de energia final de 19% em 2018 para 31% em 2040, ultrapassando o petróleo e deixando o carvão quase inexistente.

Na Atlas, vemos isso como uma oportunidade sem precedentes para descarbonizar a matriz energética. Como os VEs impulsionam a eletrificação, garantir que essa energia venha de fontes renováveis ​​nos levará um passo à frente para reduzir as emissões de CO2 do setor de energia e garantir um futuro mais sustentável.

Os VEs estão aqui para ficar, mas para que sejam realmente uma opção verde para o futuro do transporte, é vital que não percamos a chance de conectá-los com energia renovável. Na Atlas, nossa estrutura PPA bilateral significa que podemos ajudar os FEOs, fornecedores de infraestrutura de carregamento e fabricantes de baterias garantindo que os VEs sejam uma proposta verde de verdade, de ponta a ponta.

O que a NASA, a Academia de Ciências do Chile, a Sociedade Canadense de Zoólogos e Bill Gates têm em comum?

Todos eles defendem a posição de que a mudança climática foi causada pela atividade humana e que é uma ameaça séria, juntamente com a grande maioria dos cientistas climáticos que publicam ativamente.

O debate sobre se a mudança climática está acontecendo ou não, acabou. Mas sobre se a mudança climática é inevitável, a nossa resposta é não.

Na Atlas Renewable Energy, acreditamos que as mudanças climáticas representam a maior ameaça que a humanidade enfrenta atualmente, e uma ação imediata é necessária para reverter essa tendência alarmante. Ao mesmo tempo, há razões para ser cautelosamente otimista sobre a oportunidade emergente de corrigir esse acontecimento. Aqui está o porquê.

GRANDES E PEQUENAS INOVAÇÕES ESTÃO NOS AJUDANDO A MITIGAR OS PERIGOS E TRANSFORMAR A NOSSA SOCIEDADE E A ECONOMIA

Nos últimos anos, os sinais físicos das mudanças climáticas ganharam velocidade a um ritmo preocupante. Segundo a ONU, 2019 foi o segundo ano mais quente desde o início dos registros, colocando nosso planeta em uma rota para atingir temperaturas nunca vistas há milhões de anos.

Hoje, as mudanças climáticas estão afetando a vida e os meios de subsistência das pessoas em todos os continentes. De eventos climáticos severos a mudanças nas estações e aumento do nível do mar, ninguém pode escapar dos impactos dramáticos do aquecimento do nosso planeta.

51 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa estão sendo adicionadas à atmosfera a cada ano, e se quisermos deter a mudança climática, este número tem que ser reduzido a zero.

Os eventos de 2020 destacaram o quão vulneráveis são nossas sociedades e economias, e agora há um aumento do apoio a modelos de negócios a serem construídos em torno de princípios baseados na solidariedade, responsabilidade e cooperação. Desde a redução do desperdício nas cadeias de abastecimento até a redução do desmatamento ou redução das emissões de manufatura, há muitos sinais positivos de que uma transição para um futuro mais sustentável é possível.

Em seu livro, intitulado Como Evitar um Desastre Climático, o cofundador e filantropo da Microsoft, Bill Gates, clama por um “milagre energético“, que ele acredita que permitirá dissociar o desenvolvimento econômico da degradação ambiental.

Ele clama por um aumento no uso de energias renováveis versus combustíveis fósseis (que responderiam por cerca de 27% da redução necessária nas emissões), uma mudança na forma como fabricamos nossos produtos (31%), um repensar a forma como cultivamos nossos alimentos (18%), uma revisão das viagens e transporte (16%) e uma nova abordagem de aquecimento e resfriamento (6%).

As inovações já estão acontecendo: por exemplo, a transição de combustíveis fósseis produtores de gases de efeito estufa para energia limpa se tornou uma realidade em todo o mundo, com reduções surpreendentes nos preços de energia renovável, armazenamento de bateria, monitoramento por sensoriamento remoto e redes inteligentes, enquanto novas estruturas financeiras permitiram que o setor privado assumisse em suas próprias mãos o controle para tornar o consumo de energia mais verde.

Um exemplo disso é a gigante americana da ciência de materiais, Dow. Como a maioria das empresas industriais, a Dow há muito procura reduzir as implicações ambientais e de custo de suas atividades intensivas em energia. Sua posição de liderança como fornecedor de produtos químicos, plásticos, fibras sintéticas e produtos agrícolas, também significa que ela é um dos maiores consumidores de energia industrial do mundo.

No passado, a Dow usava energia da rede pública e combustíveis fósseis para abastecer suas usinas, mas começou a repensar seu portfólio de energia, estabelecendo para si mesma uma meta difícil de atender de ter 750 MW de sua demanda de energia supridas por energias renováveis até 2025 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

Para ajudar a alcançar essa meta ambiciosa, a Dow fez parceria com a Atlas para fornecer energia limpa para seu complexo de Aratu no Brasil, a maior fábrica da Dow no país.

Este acordo inovador não só evita cerca de 35.000 toneladas de emissões de CO2 por ano – o equivalente a tirar cerca de 36.800 carros das ruas de São Paulo – como também estabelece a base para o resto da indústria química aproveitar os benefícios das energias renováveis para alcançar as metas de mitigação das mudanças climáticas.

MESMO DURANTE UMA PANDEMIA, A CRISE CLIMÁTICA PERMANECEU NO TOPO DA QUESTÃO

O acordo com a Dow foi assinado em meio à turbulência e agitação de 2020, e não é um caso isolado. Embora as empresas tenham continuado a lutar com os impactos persistentes das restrições de movimento, interrupções na cadeia de abastecimento e queda na demanda causada pela pandemia, elas continuaram a priorizar a sustentabilidade e o desempenho ambiental.

Em maio de 2020, 155 empresas – com uma capitalização de mercado combinada de mais de US$ 2,4 trilhões – assinaram uma declaração instando os governos em todo o mundo a alinhar seus esforços de recuperação e ajuda econômica da COVID-19 com a ciência climática atual.

Em julho, a Microsoft, juntamente com AP Moeller-Maersk, Danone, Mercedes-Benz, Natura & Co., Nike, Starbucks, Unilever e Wipro, criaram a iniciativa Transformar para o Net Zero, com a empresa de tecnologia se comprometendo a desenvolver um portfólio de 500 megawatts de projetos de energia solar em comunidades com poucos recursos nos EUA.

Enquanto isso, o Google se comprometeu em setembro deste ano a atingir 100% de energia renovável até 2030, enquanto o recém-lançado Programa de Energia Limpa para Fornecedores da Apple viu 71 parceiros de fabricação em 17 países se comprometerem com 100% de energia renovável para a produção do gigante da tecnologia, ao se comprometerem a fazer a transição da eletricidade utilizada em toda a sua cadeia de suprimentos de fabricação, para fontes limpas até 2030.

De acordo com pesquisas recentes do Gallup, a preocupação das pessoas com a mudança climática aumentou no ano passado, demonstrando que há mais apoio público do que nunca para tomar grandes medidas a fim de impedir a mudança climática.

Todas as nações do mundo já adotaram o Acordo de Paris, que contém o compromisso de limitar o aquecimento global a menos de 1,5°C em comparação com os níveis pré-industriais. Desde então, governos e empresas em todo o mundo estabeleceram metas ambiciosas para reduzir as emissões. Após ser adiada por um ano devido à pandemia, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima 2021, também conhecida como COP26, será realizada em novembro e, com 70 países já comprometidos com emissões líquidas de carbono zero, representa a melhor oportunidade em anos para fazer progresso.

OS INFRATORES DO CLIMA ESTÃO ENCARANDO O PROBLEMA

Com mudanças políticas abrangentes em todo o mundo, uma resposta política ousada à crise climática está em andamento. Grandes investimentos em empregos no setor de energia limpa e em infraestrutura para descarbonizar a economia são esperados dos Estados Unidos, China e outros países, enquanto os subsídios para combustíveis poluentes estão sendo eliminados.

A sustentabilidade não é mais um complemento, e os alarmes agora estão soando sobre as potenciais ramificações financeiras e econômicas se o progresso não for acelerado.

Um relatório recente da Universidade de Cambridge constatou que as perdas decorrentes de riscos relacionados ao clima já estão em torno de US$ 180 bilhões por ano e continuarão a aumentar, a menos que investidores, credores, seguradoras e legisladores empreendam esforços significativos de gerenciamento de risco.

À medida que a boa vontade pública e política em relação aos poluidores diminui, tem havido uma explosão de litígios climáticos contra empresas intensivas em combustíveis fósseis ou corporações “grandes emissoras de carbono”, em um esforço de responsabilizá-las pelas emissões de gases de efeito estufa.

Está claro que somente reduzindo as emissões de energia as empresas serão capazes de minimizar sua pegada de carbono, e isso é algo em que cada vez mais líderes empresariais estão começando a pensar seriamente

O PRÊMIO VERDE ESTÁ ATINGINDO UM PONTO DE INFLEXÃO

Um dos argumentos mais usados contra tornar a economia mais verde é o custo. Bill Gates se refere a isso como o prêmio verde – que é essencialmente a diferença de custo entre um produto que envolve a emissão de carbono e uma alternativa que não.

Com as novas energias renováveis sendo agora na maioria dos casos mais acessíveis do que os combustíveis fósseis existentes, o prêmio verde não é mais uma barreira, como explica Gates.

Mesmo nos mercados mais complicados, estamos vendo a demanda de clientes corporativos, que querem saber como ter acesso à energia limpa a um preço acessível e manter a estabilidade dos preços no longo prazo. Embora ainda haja mais a ser feito globalmente para superar a barreira do prêmio verde, as indicações são de que a energia renovável já percorreu um longo caminho para superá-la.

NÃO PODEMOS SER COMPLACENTES

Apesar de acreditarmos que há espaço para otimismo, não há como minimizar a ameaça existencial de um desastre climático. Mas o que vemos é uma série de ações positivas para o clima vinda dos setores público e privado, que acreditamos que precisam ser ampliadas rapidamente para mudar a trajetória dos níveis de emissões na atmosfera.

Os especialistas estão certos sobre as mudanças climáticas, mas as previsões mais terríveis não precisam se tornar uma inevitabilidade. A política, o mercado e as mudanças tecnológicas podem ser implementadas para a transição para um mundo com emissões zero. Tudo o que precisamos é fazer com que isso aconteça.

Em outros tempos, o sucesso de uma empresa era julgado exclusivamente por seu desempenho financeiro. Mas os lucros por si só não retratam como uma empresa está se saindo. À medida que as empresas começam a responder às várias partes interessadas, a liderança sustentável, que leva em consideração o meio ambiente, a sociedade e os objetivos de desenvolvimento de longo prazo, torna-se vital.

A resposta global à crise da Covid-19 demonstra a importância das pessoas, do planeta e da transparência nas decisões de negócios. Enquanto os líderes mundiais se concentram em ações políticas e econômicas para ajudar a redefinir a economia, o capitalismo inclusivo, uma recuperação equitativa e um futuro mais verde estão agora na frente e no centro.

Para as empresas, isso significa que é hora de olhar mais de perto as estratégias de sustentabilidade corporativa.

“Devemos repensar o que queremos dizer por ‘capital’ em suas muitas iterações, sejam elas financeiras, ambientais, sociais ou humanas”. Os consumidores de hoje esperam cada vez mais que as empresas contribuam para o bem-estar social e o bem comum”, disse Klaus Schwab, fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial (WEF) em dezembro de 2019, no lançamento do novo manifesto de Davos por um tipo melhor de capitalismo.

Naquela época, não havia nenhuma indicação dos eventos tumultuosos que estavam prestes a abalar a economia global em seu núcleo. No entanto, um ano e meio depois, os líderes corporativos estão iniciando uma jornada de melhoria contínua, mudando políticas para tornar a sustentabilidade e a inclusão social centrais em seu funcionamento.

CAPITALISMO DAS PARTES INTERESSADAS

O mundo corporativo sempre foi caracterizado pela concorrência, com CEOs sob pressão para priorizar lucros e receitas em detrimento de outras variáveis. No entanto, os líderes corporativos agora estão começando a reconhecer que as empresas não são apenas entidades com fins lucrativos, e sim uma parte importante do tecido social e ambiental.

Em janeiro deste ano, 60 líderes empresariais, incluindo os CEOs da Dow, Unilever, Nestlé, PayPal, Reliance Industries e Sony, assumiram um compromisso público com a Métrica do Capitalismo das Partes Interessadas, um conjunto de métricas  e divulgações de indicadores ambientais, sociais e de governança (ESG) lançadas pelo Fórum Econômico Mundial e seu Conselho Internacional de Negócios (IBC) em setembro de 2020, que medem a criação de valor não financeiro de longo prazo para todas as partes interessadas.

Ao inscrever sua empresa nas métricas, Marc Benioff, CEO da Salesforce disse: “Hoje damos mais um passo à frente no impacto crescente do capitalismo das partes interessadas. Não se trata apenas de palavras, e sim de empresas que definem métricas claras, medindo o nosso progresso e nos responsabilizando por ele. Só assim poderemos proporcionar crescimento de longo prazo para nossos acionistas, construir a confiança de todas as partes interessadas e melhorar verdadeiramente o estado do mundo”.

Reconhecendo que crescimento e produtividade por si só não são suficientes, sem abordar a desigualdade e o meio ambiente, as métricas incluem divulgações centradas em quatro pilares: pessoas, planeta, prosperidade e princípios de governança, e incluem áreas como emissões de gases de efeito estufa, igualdade de remuneração e diversidade do conselho, entre outras.

UMA LENTE ESG

No último ano vimos um aumento da urgência da discussão sobre alguns temas essenciais: Clima, devido aos grandes incêndios florestais e eventos climáticos extremos, e como nossas ações estão diretamente ligadas ao meio ambiente, Saúde, pelos impactos que a pandemia de COVID 19 nos causou e como dependemos uns dos outros para cuidar da nossa saúde e Justiça Social e Igualdade Racial, sabemos qual é o impacto de se fazer muito pouco para lidar com as desigualdades em nossa sociedade.

A turbulência provocada pelos eventos de 2020 oferece uma oportunidade sem precedentes para repensar como fazemos as coisas, e o ímpeto para que as empresas liderem isso nunca foi tão forte.

SUSTENTABILIDADE TANTO DENTRO COMO FORA

Não é apenas o impacto das empresas no mundo ao seu redor que importa. Como as ordens de quarentena e confinamento mantiveram a maior parte da força de trabalho do mundo em suas casas, os líderes empresariais também começaram a reconhecer a necessidade de construir uma força de trabalho mais resiliente, priorizando o bem-estar.

Na Atlas Renewable Energy, vimos como este ano nos deu uma oportunidade única de conduzir conversas sobre diversidade e inclusão, levando em consideração os desafios complexos de manter unida uma força de trabalho remota durante uma pandemia.

Como cidadãos corporativos, podemos fazer todas as promessas ambientais, sociais e de governança do mundo, mas sem uma liderança empática que possibilite um ambiente de trabalho diversificado, nunca faremos o progresso necessário. Se o ano passado nos ensinou alguma coisa, é que precisamos impulsionar uma força de trabalho mais inclusiva, coesa e sustentável para reconstruir melhor em 2021 e além.

SINAIS DE ALERTA DA INDÚSTRIA ENERGÉTICA

As consequências de negligenciar o triplo resultado final de pessoas, planeta e lucros são visíveis. A indústria de petróleo e gás, por exemplo, que há muito tempo se baseia exclusivamente no desempenho financeiro, agora está perdendo sua licença social para operar em todo o mundo. Se as empresas de energia – e, na verdade, qualquer grande empresa com um impacto desproporcional nas pessoas e no planeta – quiserem sobreviver, elas devem se adaptar a novas realidades. Continuar tocando os negócios como sempre não será uma opção para ninguém por muito mais tempo.

“Se a recuperação econômica for padronizada para uma reinicialização das atividades pré-COVID-19, as sociedades terão perdido uma janela importante de oportunidade para a transição a um caminho de crescimento mais inclusivo e verde”, disseram os economistas-chefes pesquisados pelo Fórum Econômico Mundial no ano passado.

O CASO DE NEGÓCIOS PARA UMA LIDERANÇA SUSTENTÁVEL

À medida que mais e mais empresas em todo o mundo começam a olhar para além dos ganhos imediatos de curto prazo, a liderança sustentável está se tornando a chave para o sucesso do futuro. Entretanto, a liderança sustentável não é um jogo puramente voltado para valores. É ter as habilidades para fazer mais com menos, impulsionando uma maior produtividade através da criação de locais de trabalho, comunidades e ecossistemas de negócios mais justos e inclusivos.

Como um recurso não poluente e limpo, a energia renovável é a chave para um futuro sustentável. Mas, além de seus impactos ambientais, a energia renovável também pode contribuir para o desenvolvimento social, a inclusão, a diversidade e a equidade em todo o mundo.

Em 2015, os Estados-Membros das Nações Unidas adotaram os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como um apelo universal à ação para acabar com a pobreza, proteger o planeta e melhorar a vida e as perspectivas de todos, em todos os lugares. Para atingir a meta número sete: “Acesso à energia acessível, confiável, sustentável e moderna”, os países devem aumentar substancialmente a parcela de energia renovável na matriz energética global. Mas esta não é a única maneira pela qual as energias renováveis contribuirão para um futuro melhor e mais inclusivo para a humanidade.

DESENVOLVIMENTO INCLUSIVO

Atualmente, é do conhecimento geral que a transição energética – dos combustíveis fósseis para as energias renováveis – terá um forte impacto positivo no PIB. De acordo com a mais recente Perspectiva Global de Energia Renovável da Agência Internacional de Energia Renovável, a transformação do sistema energético poderia acrescentar US$ 98 trilhões ao PIB mundial – ou o equivalente a duas vezes a capitalização de mercado combinada de todo o mercado de ações dos EUA.

Mas o crescimento do PIB indica apenas os ganhos econômicos, e a energia renovável traz muito mais que isso. A implantação de energia renovável ajuda a diversificar a base de competências de um país, impulsiona seu crescimento industrial e apoia amplas prioridades de desenvolvimento – além de promover resultados ambientais e de saúde positivos, graças à redução das emissões e da pressão sobre os ecossistemas.

UMA FOTO JUSTA

Em todo o mundo, comunidades com poucos recursos suportam o impacto da mudança climática e das emissões. Nos EUA, por exemplo, a maioria dos bairros negros apresenta níveis mais altos de poluição do ar por eletricidade de combustíveis fósseis do que os bairros de maioria branca, de acordo com uma pesquisa da Associação Americana de Pulmão.

Além disso, as famílias de baixa renda gastam cerca de três vezes mais de sua renda em custos de energia do que outras famílias, onde as famílias negras, hispânicas, multifamiliares e que moram de aluguel são mais afetadas.

Energia renovável mais limpa e mais barata pode não apenas estabilizar as contas de energia dessas famílias, como também limpar o ar que respiram, ajudando a fechar as lacunas entre os que têm e os que não têm em nossas comunidades.

“A energia solar pode fornecer alívio financeiro de longo prazo para famílias que lutam com custos de energia altos e imprevisíveis, empregos com salários dignos em uma indústria onde a força de trabalho aumentou 168% nos últimos sete anos e uma fonte de energia limpa local localizada nas comunidades que foram desproporcionalmente impactados pela geração de energia tradicional” – A Associação das Indústrias de Energia Solar

O crescimento das energias renováveis também oferece uma oportunidade sem precedentes para enfrentar o desafio do desemprego nas comunidades de baixa renda. Um estudo recente da Brookings Institution mostra que não apenas o emprego em plantas de energia de baixo carbono é mais bem pago do que a média, como também é acessível aos trabalhadores que ainda não concluíram um curso superior, onde trabalhadores em energia limpa na extremidade inferior do espectro de renda nos EUA ganham entre US$5 e US$10 a mais por hora do que ganhariam em outros empregos.

Há um lugar para todos na indústria de energias renováveis, embora ainda haja trabalho a ser feito: como é o caso em muitas profissões especializadas, o equilíbrio de gênero dos trabalhadores no setor ainda se inclina fortemente para os homens. Na Atlas, vemos isso como uma oportunidade para ampliar a oferta de mão de obra no longo prazo. Algumas das ações que tomamos incluem insistir para que haja pelo menos um candidato feminino em cada lista de recrutamento, enquanto nossa equipe de pessoal (tradicionalmente conhecida como Recursos Humanos) fornece treinamento à equipe regional para reconhecer preconceitos inconscientes, com foco na distinção de gênero assim como na melhoria dos benefícios para facilitar a reintegração feminina ao trabalho após a maternidade, bem como a corresponsabilidade dos pais.

Nas nossas instalações, também desenvolvemos um Programa de Força de Trabalho Feminina  que visa melhorar o acesso das mulheres locais às oportunidades de emprego e empreendedorismo. Este programa profissionalizante visa aumentar a qualificação de centenas de mulheres das comunidades próximas para posições qualificadas, tanto em nossas próprias cadeias de suprimentos operacionais, como em outras indústrias em nossa área de influência.

ALÉM DA LICENÇA SOCIAL

Os projetos de energia renovável são frequentemente construídos em locais rurais e remotos, o que significa que, além de serem limpos e verdes, também têm a oportunidade de estar na vanguarda das melhores práticas em direitos humanos e de impacto social. Diretrizes sólidas – como os Padrões de Desempenho da IFC e os Princípios Equator – já existem para ajudar os desenvolvedores de projetos renováveis na implementação de procedimentos de melhores práticas para o engajamento das partes interessadas.

O desenvolvimento de energias renováveis ​​abre caminho para que empresas ambiental e socialmente responsáveis ​​brilhem. Quando os desenvolvedores trabalham em conjunto com as comunidades locais para garantir que os projetos de energia renovável sejam bons vizinhos, o efeito multiplicador é imenso – e vimos isso em primeira mão em nossa planta de Guajiro no México. Em vez de cair de paraquedas com um programa genérico de responsabilidade social corporativa, sentamos com as comunidades locais para entender suas necessidades e co-criamos planos que forneceriam um propósito comum para o benefício de todos. Para Guajiro, isso significou priorizar fornecedores locais para os serviços necessários durante a construção, o que criou um efeito de economia circular, criando oportunidades econômicas significativas na comunidade. Também fizemos parceria com a The Pale Blue Dot, uma organização mexicana que promove o uso de tecnologia em escolas e centros comunitários. A implantação desse programa proporcionou acesso à Internet e uma plataforma educacional a 699 alunos de comunidades vizinhas, ajudando a reduzir a lacuna educacional e a promover a alfabetização digital.

Obter uma licença social para operar vai além das permissões para construir uma infraestrutura de energia confiável. Ter um impacto positivo nos parceiros locais dá legitimidade, credibilidade e confiança a um projeto – o que significa que mais e mais comunidades darão boas-vindas ao desenvolvimento de plantas de energia renovável, para o benefício de todos.

UMA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA RAZOÁVEL E JUSTA

O aumento da energia renovável traz claros benefícios socioeconômicos, como maior diversidade da força de trabalho, inclusão social e melhores resultados na saúde da comunidade, e um número crescente de partes interessadas deseja que esse potencial seja alcançado em sua extensão máxima. Nos últimos anos, vimos como os financiadores de projetos agora olham para o envolvimento da comunidade e os resultados ao considerar o financiamento de um projeto, enquanto as grandes corporações que firmam contratos de compra de energia de longo prazo (PPAs) estão ansiosas para encontrar desenvolvedores que estejam alinhados com seus valores de diversidade e inclusão.

Sabemos que a energia limpa, renovável e sustentável é o futuro. À medida que a transição energética se acelera, acreditamos que está na hora de passar do foco exclusivo nos aspectos econômicos e ambientais para a maximização dos benefícios sociais que a energia renovável pode trazer.

Graças a preços competitivos, avanços tecnológicos e excelente suporte financeiro e fiscal, a energia solar está no seu ponto mais atraente. A hora de fazer a transição da energia convencional para a energia limpa é agora. Eis o porquê.

 SOLAR: O PRINCIPAL RECURSO DE ENERGIA DOS EUA

Em apenas 18 dias de sol na Terra há a mesma quantidade de energia que existe em todas as reservas de carvão, petróleo e gás natural do planeta – e os EUA são abençoados com um potencial de energia fotovoltaica excepcionalmente alto em comparação a outras nações do hemisfério norte.

Embora os estados ensolarados do sudoeste como Califórnia, Arizona e Nevada tenham o maior potencial de geração de energia solar, a produção pode ser aumentada com mecanismos especializados de rastreamento que permitem que os painéis acompanhem o sol e coletem a luz em um ângulo ideal, o que significa que um sistema instalado tão ao norte, como Portland ou Maine, pode gerar 85% do que seria gerado em Los Angeles.

Em média em todo o país, um metro quadrado coleta aproximadamente o equivalente em energia solar de quase um barril de petróleo por ano. Aproveitando apenas uma pequena proporção disto – cerca de 0,6% da área total do país – poderíamos abastecer o país inteiro com eletricidade atrativa do ponto de vista ambiental e econômico.

 OS CUSTOS DA ENERGIA SOLAR NUNCA ESTIVERAM TÃO BAIXOS

Ao contrário do petróleo, onde observamos os custos de extração aumentarem à medida que se intensifica a exploração dos campos e grande parte do potencial vai se esgotando, o custo da produção de energia solar tornou-se cada vez mais competitivo. Desde 2010, o custo para instalar energia solar fotovoltaica (FV) em escala de serviço público caiu 82%, o que significa que agora o custo para construir uma nova usina solar FV é menor que o custo para manter muitas das usinas elétricas a carvão em operação.

Isso também se traduz em preços de eletricidade mais baixos: uma pesquisa do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DOE) mostra que a indústria solar atingiu a meta de custo da energia solar em escala de serviço público para 2020, três anos antes, em 2017, tornando-se competitiva em relação à eletricidade gerada convencionalmente, mesmo sem subsídios.

OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS SIGNIFICAM MAIS POR MENOS

Como a energia solar se tornou mais popular, agora há mais especialistas em instalação, mais produtores de componentes e consumidores, bem como custos de material mais baratos, o que significa economia de escala. Além disso, truques inteligentes de engenharia aumentaram a eficiência das usinas solares para próximo de seu máximo teórico. Os painéis bifaciais, que captam os raios solares de ambos os lados, bem como os componentes eletrônicos, que permitem ao painel rastrear o sol à medida que ele se move pelo céu durante o dia, significa que agora é possível capturar quase toda a luz solar disponível.

OS PREÇOS DO PPA SOLAR ESTÃO NO SEU MAIS BAIXO NÍVEL…

Outro fator que tornou a energia solar tão atraente quanto ela está hoje, é o acesso a opções de financiamento e modelos de negócios que a tornam ainda mais acessível. O mais empolgante deles são os contratos de compra de energia (PPA), que são contratos de longo prazo através dos quais uma empresa concorda em comprar eletricidade diretamente de um gerador de energia.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), os preços da energia solar fotovoltaica com base em aquisições competitivas poderiam custar em média US$ 0,039/kWh para projetos comissionados em 2021, uma queda de 42% em relação a 2019 e mais de um quinto a menos do que as usinas a carvão.

Nos EUA, os preços dos PPAs estão agora nos seus níveis mais baixos, mas à medida que a demanda começar a superar a oferta, as empresas que agirem rapidamente farão economias à frente de seus concorrentes.

… E AS PRINCIPAIS MARCAS DOS EUA ESTÃO ENTRANDO EM AÇÃO

Como resultado desses preços historicamente baixos, as compras corporativas de energia solar aumentaram nos EUA, que é agora o líder mundial em PPAs corporativos para energia solar, representando mais de 60% do mercado global. Hoje, 220 empresas que operam nos Estados Unidos já estão adquirindo energias renováveis ou planejam fazê-lo.

Embora no passado empresas de tecnologia como Google e Apple tenham liderado a aquisição de energia solar nos EUA, entrar em PPAs não é mais exclusividade de empresas com grandes operações de centros de dados. Hoje, estamos vendo fabricantes, varejistas e até mesmo grandes empresas de petróleo e gás entrando em ação.

Não é apenas a redução de custos que as principais corporações da América estão procurando. Como acionistas e investidores estabelecem metas de descarbonização, demonstrar liderança no desenvolvimento de energia limpa se tornou central para a estratégia corporativa, e investir em grandes instalações fora de seu local através de PPAs, tornou-se uma forma fundamental de demonstrar as credenciais verdes de uma empresa.

AS ENERGIAS RENOVÁVEIS SÃO A SAÍDA PARA A CRISE CLIMÁTICA…

Os sistemas de energia renovável não produzem poluentes atmosféricos ou emissões de gases de efeito estufa, razão pela qual a Associação Americana de Pulmão defende a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis para abastecer o país. Por exemplo, a eletricidade gerada em instalações solares comerciais no local e fora do local das empresas, só nos EUA, compensa mais de 8,9 milhões de toneladas métricas de emissões de CO2 anualmente, o equivalente a tirar 1,9 milhão de carros das estradas ou plantar 147 milhões de árvores.

E os americanos querem ver mais disso: após inúmeros incêndios florestais, furacões e ondas de calor em 2020 que, segundo os cientistas, são causados diretamente pelas mudanças climáticas, a maioria dos americanos de todos os grupos demográficos diz que são a favor da ação ousada para combater o aquecimento global delineada pelo Presidente Biden, que inclui a transição para energia 100% limpa até 2035.

 … E OS ATIVOS SOLARES TÊM UM BOM DESEMPENHO EM UMA CRISE

Recentemente, vimos como uma enorme e histórica tempestade de inverno afetou a rede elétrica independente do Texas. Dados do Conselho de Confiabilidade Elétrica do Texas (ERCOT) mostram que os apagões foram causados principalmente por uma grande queda na geração térmica, pois as pilhas de carvão congelaram e os reatores nucleares foram desligados. A energia solar, por sua vez, produziu 1.000 MW a mais do que o esperado pelo operador da rede – mesmo sob céus nublados devido às tempestades.

Graças à nova tecnologia, a energia solar também pode ajudar a religar a rede se ela cair. No passado, após um apagão, os operadores da rede eram forçados a ligar primeiro uma fonte de energia convencional, como uma usina de carvão ou gás natural, a fim de definir o ritmo da rede, antes de poderem adicionar outras fontes de energia, como a solar. Novos controles de “formação de rede” em inversores solares, que estão sendo financiados pelo Departamento de Tecnologias de Energia Solar dos EUA (SETO), permitem que inversores solares formem níveis de tensão e frequência como os geradores tradicionais, o que significa confiabilidade e estabilidade, mesmo em uma rede com 100% de energia renovável.

A ESTRUTURA REGULATÓRIA DOS EUA FAVORECE A ENERGIA SOLAR…

Nos EUA, o Crédito Fiscal de Investimento (ITC) permite um crédito fiscal de 26% em sistemas solares. Este importante mecanismo de política federal apoia e incentiva o crescimento da energia solar no país – na verdade, segundo a Associação das Indústrias de Energia Solar, desde que o ITC foi promulgado em 2006, a indústria solar dos EUA cresceu mais de 10.000%.

Mas todas as coisas boas chegam ao fim, e o ITC solar está programado para começar a diminuir gradualmente após 2023, o que significa que os projetos que começam a ser construídos nos próximos dois anos alcançarão uma redução de dólar por dólar melhor do que aqueles programados para começar até 2023 – outra razão para as empresas entrarem na energia solar agora e conseguirem mais economia.

O INTERESSE PELA ENERGIA SOLAR CONTINUA ELEVADO, APESAR DA COVID-19…

Apesar das exigências de implantação no local e de restrições de movimento, a maioria das construções de usinas solares em escala de serviço público foram consideradas essenciais. Como resultado, segundo o SEIA, grandes corporações nos Estados Unidos relataram poucos atrasos em seus projetos e, além disso, não esperam nenhuma mudança em seus objetivos ou cronogramas de energia renovável.

Por sua própria natureza, os locais de projetos de energia renovável se prestam bem ao distanciamento social: até mesmo o menor dos nossos parques solares é medido em centenas de hectares, e na Atlas, nós definimos padrões líderes do setor para manter as pessoas protegidas do Covid-19, garantindo a sustentabilidade de nossos projetos por muitos anos – não importa o que esteja no horizonte.

…E A ENERGIA SOLAR CRIA EMPREGOS MUITO NECESSÁRIOS PARA ALAVANCAR A RECUPERAÇÃO ECONÔMICA

A geração de energia renovável terá um papel transformador na economia pós Covid-19. Como a economia dos EUA parece se recuperar da pandemia, colocar os americanos de volta no mercado de trabalho é uma grande prioridade. No período de cinco anos, entre 2014 e 2019, o emprego em energia solar aumentou 44% nos EUA, cinco vezes mais rápido do que o crescimento do emprego na totalidade da economia dos EUA. O emprego em energia solar também inclui todos os americanos: as mulheres representam 26% da força de trabalho nesse setor, enquanto as pessoas provenientes das minorias da população representam 34%. Além disso, quase um em cada 10 trabalhadores do setor de energia solar são veteranos militares, segundo o último Censo Nacional de Empregos na Energia Solar.

Atualmente, a indústria solar nos EUA fornece empregos bem remunerados para 250.000 americanos e, à medida que o setor se expande graças à rápida diminuição do custo das tecnologias e do aumento de sua popularidade, este número só vai aumentar.

A HORA DE FAZER A TRANSIÇÃO É AGORA

A energia solar não é mais uma fonte de energia cara e futurística. Hoje, a energia solar é mais acessível, melhor e mais confiável do que os combustíveis fósseis tradicionais. A mudança para a energia solar pode criar empregos muito necessários, ajudar a limpar o ar da América e permitir que as empresas atendam às metas de lucratividade, ambientais e de desempenho.A hora de fazer a transição para a energia solar é agora. Na Atlas Renewable Energy, desenvolvemos, construímos e operamos projetos de energia renovável em larga escala como um parceiro confiável para grandes consumidores de energia em vários mercados. Entre em contato conosco para saber mais sobre como sua empresa pode aproveitar tudo que a energia solar tem a oferecer hoje.

A cúpula de dois dias sobre o clima, realizada online pelo presidente americano Joe Biden, nos dias 22 e 23 de abril, viu 40 líderes globais assumirem uma série de compromissos com o objetivo de aumentar a cooperação a fim de combater as mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Ao longo de oito sessões, chefes de estado e de governo, bem como líderes e representantes de organizações internacionais, governos subnacionais e comunidades indígenas, falaram da necessidade de uma colaboração global sem precedentes e da ambição para atender o momento.

Embora a cúpula tenha visto os tomadores de decisões políticas discutirem sobre o futuro da ação climática, existem também oportunidades importantes para empresas e investidores.

Principais emissores aumentam a aposta na neutralidade de carbono

Reconhecendo que o status quo não é mais viável, os líderes presentes na cúpula do clima prometeram tomar medidas climáticas mais ousadas. Os EUA apresentaram sua nova Contribuição Determinada Nacionalmente (NDC), com a meta de atingir uma redução de 50 a 52% em relação aos níveis de 2005 nas emissões de gases de efeito estufa em toda a economia até 2030.

A China indicou que fortalecerá o controle de gases de efeito estufa CO₂, controlará rigorosamente os projetos de geração de energia a carvão e reduzirá gradativamente o consumo de carvão. A União Europeia está colocando em lei uma meta de redução das emissões líquidas de gases de efeito estufa em pelo menos 55% até 2030 e uma meta líquida de zero até 2050. O Brasil se comprometeu a atingir o zero líquido até 2050, bem como acabar com o desmatamento ilegal até 2030. Aos compromissos desses países, juntaram-se promessas da Índia, Japão, Canadá, África do Sul e Argentina, entre outros.

 Esses compromissos sem precedentes indicam que a pressão sobre as corporações deve aumentar para que levem a sério a redução de emissões. Para se manter à frente do jogo, os grandes usuários de energia, desde fabricantes de produtos químicos, até produtores têxteis e empresas industriais, precisarão fazer uma mudança decisiva para enfrentar os principais elementos de emissões de CO₂ em seus negócios – ou correrão o risco de ficar para trás.

Uma oportunidade de investimento

Durante uma sessão especial com o enviado americano sobre assuntos climáticos, John Kerry, líderes de governos, organizações internacionais e instituições financeiras multilaterais e privadas, observaram a necessidade de alavancar grandes somas de capital privado para projetos sustentáveis.

Planos, como o plano de investimento em energia limpa de US$ 2 trilhões do governo Biden, visando atingir 100% de eletricidade limpa até 2035, e o Green Deal da União Europeia, que inclui US$ 572 bilhões destinados a projetos verdes, entre eles geração de energia renovável, foram reforçados durante as negociações, o que dará um impulso aos investidores, que estão cada vez mais sendo atraídos por vultosos gastos do governo e por incentivos fiscais para projetos verdes.

No setor de energia renovável, em particular, já estamos vendo um aumento de investidores entrando no setor, e isso não é apenas resultado de iniciativas do setor público. Na verdade, estamos ouvindo que a estabilidade das energias renováveis é uma das principais razões que motivam a decisão de investir. Os produtores de energia tradicionais raramente firmam contratos de preços que abrangem décadas. Os produtores de energias renováveis, por outro lado, podem fazer isso graças à inesgotabilidade de suas fontes de energia.

Acabou o tempo para os combustíveis fósseis

A transição para ficar longe dos combustíveis fósseis foi um dos principais focos da cúpula. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descreveu centenas de startups trabalhando para melhorar o armazenamento em baterias, cruciais para a energia solar, eólica e outras energias renováveis. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, renovou o compromisso do país de acabar com a exploração de petróleo e gás no Mar do Norte. Outros falaram em eliminar gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis, que têm mantido fontes de energia poluidoras artificialmente baratas há algum tempo. Por outro lado, em seu discurso de encerramento, o presidente Biden exortou os líderes mundiais a aumentarem seus investimentos em energia limpa.

Tomadas em conjunto, há indicações claras de que a atual divergência de preços entre as energias renováveis e os combustíveis fósseis – na qual as energias renováveis se tornam mais acessíveis e os preços dos combustíveis fósseis se tornam comparativamente mais elevados – parece que deve continuar. Para garantir a estabilidade dos preços da energia, já estamos vendo várias empresas em todo o mundo começando a analisar mais a fundo suas estratégias energéticas e as possibilidades disponibilizadas através de estruturas financeiras inovadoras, como os acordos corporativos de compra de energia (PPAs).

Novas oportunidades de negócios para infraestrutura de energia e transporte com baixo teor de carbono

Lançada durante o evento, a Parceria Global para Infraestrutura Climática Inteligente da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA (USTDA) terá como objetivo impulsionar a adoção de tecnologias transformadoras, que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e apoiem a resiliência às mudanças climáticas em todo o mundo.

Na prática, isso irá significar investimento público e privado em projetos como o armazenamento de energia e em projetos solares e eólicos com escala de serviço público, bem como tecnologias de transporte com eficiência energética que reduzam o uso de água e energia.

Desde o lançamento, já foram concedidas subvenções a projetos e fornecedores na Tailândia, Camarões, Brasil e Índia, e a USTDA lançou uma página da Parceria Global Climática para conectar as empresas com as informações mais recentes sobre as oportunidades de negócios associadas a esta iniciativa, bem como a pedidos de propostas.

Para as empresas, as atividades climáticas inteligentes e os lucros agora andam de mãos dadas. Mas para as empresas que não estão diretamente envolvidas nos setores visados pela USTDA, ainda há maneiras de aproveitar os benefícios.

Veja o desenvolvimento de energia renovável, por exemplo. Através da estrutura do acordo de compra de energia (PPA), os consumidores corporativos de energia podem aproveitar melhores decisões estratégicas de fornecimento de energia. Acreditamos que os acordos bilaterais de compra de energia voltados para as energias renováveis, são uma ferramenta vital na construção de negócios resilientes e inteligentes do ponto de vista climático, e várias empresas internacionais tem sido pioneiras neste aspecto – da Anglo American a empresas multinacionais com a Dow.

Os líderes enfatizam a necessidade da ajuda do setor privado

Embora a cúpula tenha se concentrado em metas a nível nacional, os participantes enfatizaram a necessidade de envolvimento da comunidade empresarial.

Felizmente, o setor privado já demonstrou que está pronto e disposto a agir. Antes da cúpula, 408 empresas e investidores, desde PMEs a grandes multinacionais, assinaram uma carta aberta indicando seu apoio a “uma meta altamente ambiciosa de redução de emissões para 2030, ou Contribuição Nacionalmente Determinada (CND) nos termos do Acordo de Paris, em busca de atingir emissões líquidas zero até 2050”.

A comunidade global ainda tem muito trabalho pela frente e espera-se que todos os países se comprometam com mais ações climáticas na conferência COP26, que será realizada em Glasgow em novembro deste ano. No entanto, na Atlas, acreditamos que as empresas podem começar a aproveitar o impulso da cúpula climática de Biden agora para impulsionar suas próprias estratégias de longo prazo e definir uma trajetória para chegar a emissões líquidas zero.

Como Angela Merkel, chanceler da Alemanha, disse na cúpula: “Esta é uma tarefa hercúlea, porque é nada menos que uma transformação completa na forma como fazemos negócios”.

No Dia Internacional da Mulher e todos os dias, a Atlas Renewable Energy coloca a diversidade e a inclusão na linha de frente.

Na Atlas Renewable Energy, queremos liderar o nosso setor em termos de equilíbrio, diversidade e inclusão de gênero (D&I). Estamos trabalhando para desafiar estereótipos, combater preconceitos, ampliar percepções e mudar atitudes – em nosso setor, em nossos escritórios e nas comunidades onde operamos. Entendemos que, para fazer a diferença, precisamos ir além da conscientização e abordar as questões de uma perspectiva mais tangível. Embora ainda haja muito a fazer, apresentamos aqui algumas das iniciativas que temos desenvolvido para contribuir para a igualdade de oportunidades.

CRIANDO MUDANÇAS A PARTIR DE DENTRO

Quando começamos, no início de 2017, soubemos imediatamente que tínhamos desequilíbrios importantes em relação a gênero, com um pequeno percentual de mulheres e ainda menos representatividade nos níveis técnicos, gerencial e de tomada de decisões. E o problema não era só nosso: no setor de energia renovável como um todo, as mulheres representam apenas uma pequena porcentagem da força de trabalho. De acordo com um estudo realizado pela Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) em 2019, as mulheres representavam apenas 32% dos funcionários em tempo integral da força de trabalho da energia renovável em todo o mundo.

Acreditamos que o fato de operarmos em uma indústria dominada por homens não é desculpa. Então, começamos a criar uma cultura interna que abrangesse a inclusão e a diversidade desde o início, e começamos a buscar maneiras de transformar nossa empresa, em uma empresa que pudesse ser caracterizada pela igualdade.

Nosso primeiro passo foi tornar nosso processo de recrutamento mais inclusivo. Insistimos que deveria haver pelo menos uma candidata em cada lista de recrutamento e que o conjunto geral de candidatos deveria ser o mais diversificado possível. Para evitar qualquer tipo de viés na contratação, pedimos aos nossos recrutadores que nos apresentassem currículos ocultos, que mascaram não apenas o gênero dos candidatos, mas também sua idade, etnia e localização.

Funcionários da empresa Atlas Renewable Energy no escritório de Santiago, Chile.

Nossos esforços foram recompensados: hoje, o número total de funcionários da nossa corporação é composto por 40% de mulheres, contra apenas 11% há quatro anos.

QUEBRANDO BARREIRAS ESTRUTURAIS

Trazer mais mulheres para a empresa não seria suficiente. Para sermos verdadeiramente sensíveis às questões de gênero, implementamos uma série de medidas para criar uma cultura corporativa baseada na igualdade de oportunidades, na não discriminação e no respeito pela diversidade.

Isso inclui nosso treinamento sobre preconceitos inconscientes e o programa de imersão em D&I, que é fornecido a todos os membros da equipe e se concentra não apenas nas diferenças de gênero, como também busca desafiar formas preconceituosas de pensamento que possam influenciar de forma injusta nas decisões.

Analisamos também as barreiras estruturais que impedem uma maior participação feminina na força de trabalho. A ligação entre as responsabilidades familiares e a diminuição da participação feminina na força de trabalho foi bem documentada e, como foi comprovado que os direitos à licença maternidade com proteção do emprego mantêm as mulheres no trabalho, examinamos as melhores práticas internacionais e implementamos uma licença maternidade de seis meses com salário integral. Esta iniciativa foi implementada em todos os países nos quais a Atlas está presente, onde, em muitos casos vai além do que a regulamentação local exigiria.

Para evitar o preconceito contra a contratação de mulheres, também estendemos um mês de licença paternidade aos homens – em comparação com a licença paternidade mínima remunerada de cinco a oito dias em muitos dos mercados em que operamos.

Além disso, para garantir que levamos em consideração todos os tipos de famílias, também implementamos a licença-adoção para nossos funcionários.

Outra barreira estrutural está relacionada ao cuidado infantil. Não acreditamos que mulheres ou homens devam ter que escolher entre cuidar de seus filhos ou priorizar suas carreiras, por isso implementamos um subsídio mensal de creche para crianças de até três anos, permitindo que os membros da equipe retornem à força de trabalho após ter ou adotar uma criança.

Ao construirmos políticas de diversidade e inclusão, acreditamos ser vital que elas sejam consistentes em todos os aspectos. Portanto, não importa se nossos funcionários estão sediados no Chile, México, Brasil ou nos EUA, nossa estrutura permanece a mesma para garantir que nosso compromisso com a igualdade seja claro em todos os lugares.

AS MULHERES NÃO PODEM SER O QUE NÃO PODEM VER

A próxima parte da nossa jornada é permitir que as funcionárias da Atlas avancem em seu crescimento profissional e pessoal. Para viabilizar isso, implementamos um programa de talentos e mentoria para apoiar seu crescimento pessoal e profissional, garantindo a criação de um forte canal de mulheres líderes para o futuro.

INDO ALÉM DE NOSSOS ESCRITÓRIOS PARA TER UM IMPACTO POSITIVO NAS COMUNIDADES LOCAIS
Participantes do programa de trabalho feminino “Somos todos parte da mesma energia” em María Elena, Região de Antofagasta, Chile.

Devido à nossa pegada geográfica e ao impacto que podemos causar nas comunidades onde operamos, estamos em uma posição forte para mobilizar nossos próprios empreiteiros e trabalhar com as comunidades locais a fim de promover valores semelhantes na representação feminina, e assim embarcamos em uma jornada de diversidade e inclusão através de um ambicioso programa de mão-de-obra feminina, em parceria com instituições e governos locais.

Sob o nome “Somos todos parte da mesma energia”, o programa visa melhorar o acesso das mulheres locais às oportunidades de emprego e empreendedorismo, alavancando o potencial de desenvolvimento econômico das áreas em que estamos construindo projetos de energia renovável, a fim de criar empregos.

Até agora, estamos no caminho certo para aumentar a qualificação de pelo menos 700 mulheres das comunidades próximas para atuar em nossos ativos atualmente em construção no México, Chile e Brasil. Usando estudos de mercado, identificamos lacunas de habilidades e oportunidades de trabalho e, em seguida, projetamos nosso treinamento para atender a essas necessidades. Em seguida, trabalhamos para incluir uma proporção das mulheres treinadas em nossas próprias cadeias de suprimentos e mobilizar nossos contratados para priorizar sua inclusão em seu processo de contratação ou facilitar os vínculos com outras indústrias em nossa área de influência.

Não é apenas a igualdade de gênero que estamos abordando em nossos mercados. Em muitos casos, seremos vizinhos das comunidades locais por décadas, por isso também implementamos políticas adicionais de inclusão para garantir que todos tenham acesso às oportunidades que nossos projetos podem oferecer. Atuamos em diversos mercados e, como resultado, estamos cientes da necessidade de adequar nossa abordagem ao contexto social da área em que atuamos a fim de ter o maior impacto possível.

Por exemplo, em nosso projeto Jacarandá no Brasil, nossas políticas de contratação foram estruturadas para garantir que pelo menos 35% da força de trabalho total seja composta por pessoas de cor, que são frequentemente excluídas das oportunidades de emprego devido à discriminação racial. Até hoje, 74% das mulheres e 79% dos homens atualmente empregados em Jacarandá são de ascendência afro-brasileira, e no total, 56 mulheres estão empregadas na construção deste projeto, respondendo por 15% do total da força de trabalho.

Formadas do programa de mão-de-obra feminina “Somos todos parte da mesma energia” trabalhando em nossa planta solar Jacarandá em Juazeiro, Bahia, Brasil.

Enquanto isso, desde o início de março, contratamos 95 mulheres em nosso projeto em “Sol de Desierto” no Chile, representando 14% da força de trabalho total, e no México, implementamos um programa de treinamento para equipar cerca de 300 mulheres com uma variedade de habilidades, que pretendemos replicar no Lar do Sol – Casablanca, uma usina solar da Atlas em Minas Gerais, Brasil.

UMA VISÃO SISTÊMICA

Na Atlas, nosso objetivo é continuar avançando para nos tornarmos uma referência em igualdade em nosso setor e para as indústrias de infraestrutura e energia em geral.

Embora o progresso que fizemos até agora seja significativo, ainda há muito trabalho a ser feito. Mas ao reconhecer as lacunas e buscar soluções tangíveis, pretendemos construir um futuro mais equitativo, que permita a todos, independentemente de gênero, etnia, idade, origem ou capacidade, ter acesso à igualdade de oportunidades.

Nos últimos anos, reduzir as emissões de carbono no ritmo necessário para mitigar os impactos das mudanças climáticas surgiu como um desafio importante para os formuladores de políticas em todo o mundo. Embora existam várias abordagens, uma delas – a precificação do carbono – está ganhando popularidade e os indicadores mostram que em breve será generalizada.

O QUE É A PRECIFICAÇÃO DO CARBONO?

Em resumo, a precificação do carbono é o meio pelo qual a poluição do carbono recebe um custo que é então repassado aos emissores de CO2 através de um imposto ou taxa. É um princípio econômico simples: tornar algo mais caro desencoraja seu uso. A ideia por trás da precificação do carbono é, em sua essência, dar às empresas um incentivo financeiro para reduzir suas emissões.

A forma mais básica de precificação do carbono é através de um imposto sobre o carbono, que é um imposto fixo por tonelada de equivalente de CO2 (tCO2e) sobre a quantidade de dióxido de carbono produzido. Outras iniciativas incluem sistemas de comércio de emissões (ETS), que criam um mercado de créditos fiscais para que os emissores possam comercializar unidades de emissão com não emissores. Enquanto isso, os mecanismos de compensação permitem que os emissores evitem o imposto sobre o carbono se fizerem esforços paralelos para remover o carbono de outras partes do meio ambiente.

Para os seus proponentes, a precificação do carbono é a abordagem mais eficiente para reduzir as emissões, pois incentiva imediatamente cortes em qualquer atividade que emite carbono e força a inovação para alternativas menos poluentes. Definido no nível certo, um imposto de carbono sobre a energia criaria rapidamente uma preferência econômica por gás natural, por exemplo, em vez de petróleo e carvão, e por energia renovável em vez de combustíveis fósseis, impulsionando assim a transição para a energia limpa em todo o mundo.

Isso não quer dizer que todos concordem com o conceito. Em muitos países, dos Estados Unidos à Austrália e além, as propostas de impostos sobre o carbono têm sido recebidas com oposição. No entanto, o número de jurisdições que estão colocando um preço sobre o carbono, seja por meio de um imposto sobre o carbono ou por meio de um ETS, está crescendo. Atualmente, 46 países e 32 jurisdições subnacionais implementaram iniciativas de precificação de carbono, em comparação com 42 países e 25 jurisdições subnacionais em 2017. Isso inclui a maior parte da Europa, China, Canadá e África do Sul, bem como o estado da Califórnia, nos EUA.

A perspectiva latino-americana

Na América Latina, as iniciativas de precificação de carbono estão atualmente em seus primórdios. Como vemos no gráfico a seguir, o México, o Chile, a Argentina e a Colômbia já têm esquemas de tributação de carbono em andamento, mas colocam um preço bastante modesto em cada tCO2e de carbono – inferior ao do Canadá e da África do Sul e uma fração dos US$ 40 a US$ 80 por tCO2₂e recomendado pela Comissão de Alto Nível sobre preços de carbono para reduzir as emissões de maneira econômica, em linha com as metas de temperatura do acordo de Paris.

Como os planos atuais de mitigação das mudanças climática, tanto na região quanto globalmente, ainda não alcançaram os níveis de redução de emissões necessários para manter o aumento da temperatura global abaixo de 2˚C, acreditamos que mais e mais governos começarão a implementar a precificação do carbono nos próximos anos e os impostos sobre o carbono provavelmente aumentarão.

APOIO CORPORATIVO

Embora o preço do carbono tenha um impacto direto e negativo nos lucros das empresas poluidoras, um número cada vez maior de empresas está exigindo isso, pois a crescente pressão dos investidores e consumidores as levam a começar a levar a sério a redução de emissões.

Nos Estados Unidos, a Business Roundtable (BRT), uma associação de diretores executivos de mais de 200 empresas líderes, endossou mecanismos de mercado, incluindo precificação de carbono, para promover ações sobre mudanças climáticas. Mesmo as empresas petrolíferas, incluindo ExxonMobil, Shell e BP pediram a implementação de impostos sobre o carbono, enquanto a multinacional espanhola Repsol, chegou ao ponto de estabelecer sua própria precificação interna do carbono de US$ 25 por tCO2e para novos investimentos, chegando a US$ 40 por tCO2e a partir de 2025.

De fato, em todo o mundo, atualmente cerca de 1.600 empresas utilizam a precificação interna de carbono para priorizar investimentos de baixo carbono e se preparar para regulamentações futuras, ou antecipar-se a fazê-lo em dois anos, de acordo com uma pesquisa realizada pela Carbon Disclosure Project, uma organização internacional sem fins lucrativos. Em muitos casos, elas estão usando os lucros para financiar os esforços de redução de emissões: a Microsoft, por exemplo, utiliza a receita de sua taxa interna de carbono para financiar energia renovável e tem como objetivo atingir 100% de uso de energia renovável até 2025.

Em junho de 2020, Bernard Looney, CEO da BP, mais do que dobrou a previsão do preço de carbono de sua empresa, para US$ 100 em 2030, afirmando que acredita que os países em todo o mundo irão acelerar a agressiva transição dos combustíveis fósseis para alternativas mais limpas até o final da década.

Portanto, para aquelas empresas que ainda não têm suas próprias iniciativas internas de precificação de carbono ou que ainda não levaram em consideração o provável impacto dos impostos sobre o carbono em seus resultados financeiros, está claro que é hora de agir.

O CUSTO DA PRECIFICAÇÃO DO CARBONO

Como maior emissor do mundo, o setor de energia é o mais impactado pela precificação do carbono. Já estamos começando a ver o fracasso comercial da geração de energia térmica como resultado disso. Mais recentemente, uma expansão planejada de 450 MW da usina termelétrica estatal da Bósnia e Herzegovina – financiada por um empréstimo de 614 milhões de euros, aprovado pelo China Eximbank – foi descrita pelo Secretariado da Comunidade de Energia da União Europeia como um “desastre econômico”, dado que foi planejado com um preço de carbono de € 7 por tCO2e, enquanto o preço atual na UE é de € 25.

A Bósnia e Herzegovina não é um estado-membro da UE e ainda não aplica a precificação do carbono. No entanto, agora a Comissão Europeia está preparando um imposto de fronteira sobre o carbono, que será aplicado também aos Bálcãs Ocidentais, tornando assim insustentável o sucesso financeiro da usina.

No entanto, não são apenas as empresas de serviços públicos e os produtores de energia que serão impactados pela precificação do carbono. Qualquer aumento de preço relacionado à geração de energia será inevitavelmente repassado aos clientes, aumentando os preços que as empresas – e as famílias – acabam pagando.

O impacto sobre os grandes usuários de energia

Para as indústrias com uso intensivo de energia, isso representa uma dupla ameaça. Fabricantes de produtos químicos, indústrias têxteis e grandes empresas industriais não só pagarão um imposto adicional com base em suas próprias emissões, como também pagarão custos de energia mais altos à medida que seus fornecedores de eletricidade aumentam os preços para cobrir seus próprios impostos de carbono. De acordo com um estudo recente da EY, o impacto estimado de um imposto de carbono nos custos gerais de produção da indústria a um preço de carbono de US$ 25 por tCO2e será um aumento de 1,1%, com a maior parte – 0,7% – composta por custos indiretos, ou seja, por preços mais elevados de insumos energéticos.

Historicamente, estudos constataram que quando o custo da energia representa uma fração maior do custo de produção, as empresas encontram novas formas de reduzir os custos de energia, e desta vez não será diferente. Até agora, 284 marcas globais, da ING a Unilever, AB Inbev e a Kellogg Company, deram um passo para acelerar a transição para a energia com zero de carbono, comprometendo-se a obter 100% de sua energia de fontes renováveis.

Essas empresas podem ver o que está por vir no horizonte e estão tomando medidas para se reposicionar. Acreditamos que esta é uma decisão sensata: como mostra o caso da usina elétrica da Bósnia e Herzegovina, esperar até que a precificação do carbono seja implementada em seu país de origem pode ser tarde demais, pois as decisões tomadas por outras jurisdições podem muito facilmente ter um impacto transfronteiriço.

ESTEJA PREPARADO

Embora as conversas iniciais sobre a precificação do carbono tenham enquadrado isso como uma simples imposição regulatória, ficou claro que não apenas as empresas estão por trás da ideia de reduzir as emissões de carbono, mas também o público em geral. Em uma recente pesquisa internacional com mais de 10.000 consumidores na França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Reino Unido e nos Estados Unidos, dois terços dos consumidores disseram que gostariam de ver a rotulagem de carbono nos produtos.

Como os consumidores em todo o mundo se tornam mais informados sobre a pegada de carbono dos produtos que compram e começam a votar com seu poder de compra, essa não é uma tendência a ser ignorada. Felizmente, soluções para reduzir a dependência de combustíveis fósseis estão disponíveis. Um exemplo é através da estrutura do acordo de compra de energia (PPA), o que significa que os consumidores corporativos de energia podem aproveitar melhores decisões estratégicas de abastecimento de energia com a ajuda de um parceiro experiente e capaz. Esta é a oportunidade perfeita para reduzir o risco quase inevitável de iniciativas de precificação de carbono nos resultados financeiros de grandes usuários de energia. Além disso, em muitos mercados já existe uma economia de custos imediata, graças ao preço competitivo da energia renovável.

A precificação do carbono, em nossa opinião, é inevitável, mas, felizmente, há muitas maneiras pelas quais as empresas podem se preparar para garantir que estarão prontas quando chegar a hora.

O governo Biden tem como meta transformar os Estados Unidos em uma economia de energia 100% limpa até 2050. Analisamos o que isso significa para o setor de energias renováveis.

“Neste momento de crise profunda, temos a oportunidade de construir uma economia mais resiliente e sustentável – que colocará os Estados Unidos em um caminho irreversível para alcançar emissões líquidas zero em toda a economia” – Presidente Joe Biden.

Ao tomar posse em 20 de janeiro, o presidente Joe Biden começou imediatamente a trabalhar em sua promessa de campanha de levar os EUA a um futuro verde. Assinando uma série de ordens executivas, ele ordenou que as agências federais adquirissem energia livre de carbono, conduzissem o desenvolvimento de tecnologias de energia limpa, e acelerassem projetos de geração e transmissão de energia limpa. Seu governo quer eliminar a poluição de combustíveis fósseis no setor de energia até 2035 e na totalidade da economia americana até 2050. Ele ainda pretende investir US$ 2 trilhões em quatro anos para que isso aconteça.

O plano climático proposto por Biden deverá resultar em mudanças significativas na política energética dos EUA. Eis o que esperar.

NÃO HAVERÁ MAIS ASSISTÊNCIA AO DESENVOLVIMENTO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

A rede de energia movida a combustíveis fósseis gera 28% das emissões dos EUA, e o novo presidente pretende zerar isso rapidamente através da interrupção do arrendamento de terras federais para a exploração de petróleo, gás e da retirada dos subsídios para essas indústrias, além de estabelecer limites agressivos de poluição por metano para as operações novas e existentes de petróleo e gás, o que provavelmente aumentará os custos das já marginais operações de prospecção de petróleo e gás nos Estados Unidos.

PRECIFICANDO O CARBONO PARA FORA DO MERCADO

Em uma declaração por escrito às perguntas dos membros da Comissão de Finanças do Senado, Janet Yellen, nomeada pelo presidente Biden para dirigir o Departamento do Tesouro, disse: “Não podemos resolver a crise climática sem a precificação efetiva do carbono. O presidente apoia um mecanismo de fiscalização que exige que os poluidores arquem com o custo total da poluição do carbono que estão emitindo”. Espera-se que um imposto nacional sobre o carbono seja implementado nos EUA, criando um impacto negativo direto nos resultados financeiros das empresas poluidoras, tornando a energia limpa e renovável mais competitiva do que os combustíveis tradicionais.

REPENSANDO A POLÍTICA COMERCIAL

Em 2018, a administração Trump impôs uma tarifa de 30% por quatro anos sobre painéis solares importados, o que impediu a implantação de 10,5 gigawatts de energia solar que, de outra forma, seriam construídos, de acordo com análise da Associação das Indústrias de Energia Solar, o maior grupo comercial do setor. Essa associação solicitou ao presidente Biden que removesse essas tarifas, a fim de ajudar a reduzir os preços e atingir sua meta de fornecer 20% da eletricidade dos EUA até 2030, contra apenas 3% atualmente. Embora a nova administração dos EUA ainda não tenha tomado nenhuma decisão sobre isso, a pressão dos órgãos da indústria dos EUA está crescendo e é provável que, no curto prazo, o presidente Joe Biden procure rever as tarifas de importação sobre equipamentos de energia solar.

NOVOS INCENTIVOS PARA A ENERGIA RENOVÁVEL

À medida que o governo dos EUA procura tornar seu plano operacional, são esperadas extensões dos créditos fiscais existentes para energia renovável,. Como parte da Lei de 2020 de Alívio Fiscal de Desastres e Segurança do Contribuinte do ex-presidente Trump, a expiração do crédito fiscal de produção (CFP) para energia eólica e algumas outras tecnologias de energia renovável foi adiada por mais um ano, para o final de 2021, enquanto a redução gradual do crédito fiscal de investimento (CFI), aplicável à energia solar e a alguns outros projetos de energia renovável, foi congelada por dois anos.

Como esses créditos permanecem vitais para o desenvolvimento da indústria de energia renovável e para a continuidade do potencial de crescimento dos EUA, que busca se recuperar do impacto econômico da pandemia, mais incentivos fiscais podem ser esperados, com o potencial de créditos reembolsáveis podendo ser alavancados em estruturas de financiamento para investimentos em energia renovável.

OS NÚMEROS VÃO SE SOMANDO…

Além das implicações políticas, os aspectos práticos de tornar a rede elétrica da maior economia do mundo mais verde em apenas 15 anos, tornam isso uma façanha nada fácil: os desenvolvedores de capacidade renovável terão que triplicar imediatamente seu ritmo de instalação a partir de 2020 para atingir a meta de Biden, de acordo com um estudo da Universidade da Califórnia pela Escola de Políticas Públicas Goldman de Berkeley.

No entanto, os pesquisadores descobriram que a queda contínua do preço da energia solar e eólica significará que a remoção de cerca de 90% das emissões da rede elétrica até 2035, reduziria os preços da eletricidade no atacado em 10%, enquanto a melhoria do armazenamento em bateria garantirá a confiabilidade da nova rede mais limpa dos EUA. De fato, o plano do presidente Biden é financeiro e economicamente viável.

… PARA UM BOM IMINENTE DA INFRA-ESTRUTURA AMBIENTAL

Além da pesquisa acadêmica, a atividade do mercado de capitais indica também que um sentimento positivo está crescendo por trás do plano do presidente Biden. Na semana anterior à posse do presidente, segundo dados da Lipper, os fundos de energia alternativa registraram um influxo de US$ 4 bilhões, onde os investidores apostaram em uma perspectiva brilhante para as empresas de energia renovável. Para colocar isso em perspectiva, durante todo o ano de 2020, o total de influxos foi de apenas US$ 17,1 bilhões.

PLANOS AMBICIOSOS

O escopo e o alcance da agenda de energia limpa da nova administração é certamente ambicioso, mas acreditamos que isso demonstra um alinhamento entre o governo e um número crescente de empresas americanas influentes e mundialmente reconhecidas, que se comprometeram com a energia 100% renovável como parte da iniciativa RE100. Essas empresas, que incluem Apple, American Express, Facebook, General Motors e Google, já assinaram PPAs para energia renovável em vários países, inspirando muitos outros a seguirem o exemplo.

Até agora, no entanto, os EUA eram citados pelos membros do RE100 como um “mercado desafiador” para o abastecimento corporativo devido à “falta de liderança do governo federal”. Com a nova política climática da administração Biden, isso provavelmente mudará e esperamos ver um aumento na demanda das empresas em vários setores da indústria – do varejo à manufatura, indústria pesada e muito mais.

Não é apenas a América corporativa que apoia a transição energética. De acordo com uma pesquisa feita pela Associação das Indústrias de Energia Solar (AIES), 90% dos americanos, independentemente de crenças políticas, apoiam a energia solar,.

As metas referente ao clima e à energia do governo Biden são ousadas, mas a Associação Americana de Energia Limpa (AEL), um grupo comercial recém-formado, declarou que a indústria de energia renovável está pronta para ajudar o país a alcançá-las e na Atlas Renewable Energy, estamos somando nossa voz à de nossos colegas nos Estados Unidos.

Desde 2017, desenvolvemos, construímos e operamos projetos de energia renovável em grande escala que permitirão a transição energética em toda a América Latina. Fomos os primeiros a implementar um PPA de energia solar privada no Chile há cerca de oito anos e, desde então, continuamos avançando na adoção de energia renovável por grandes consumidores de energia. Com uma das maiores bases de ativos solares da região, assinamos um recorde de 660 MW em PPAs corporativos em 2020, tornando-nos o maior desenvolvedor na região da América Latina por volume contratado, de acordo com a Bloomberg. Já somos um parceiro confiável para multinacionais dos EUA como a Dow e a Anglo American e esperamos apoiar um número crescente de empresas a reduzir suas emissões de CO₂ em prol de um futuro mais verde em toda a região.

Em todo o mundo, o comportamento do consumidor está passando por uma mudança dramática. Comprar tornou-se um ato político, com as marcas que buscam tornar o mundo um lugar melhor sendo recompensadas com vendas crescentes e maior fidelização dos clientes. Neste enfoque sobre a América Latina, analisamos como, à medida que a população da região procura comprar a mudança que deseja ver no futuro, as empresas devem melhorar em sustentabilidade e nas questões ambientais – ou correm o risco de perder sua clientela.

A EVOLUÇÃO DO CONSUMIDOR VERDE

Nos últimos anos, os compradores em todo o mundo começaram a compreender que seu poder de compra pode fazer a mudança acontecer. Os consumidores estão pedindo que as empresas mostrem seus valores, recompensando aquelas que se alinham com seus valores.

Esta é uma mudança de paradigma em relação ao ativismo do consumidor de antigamente, quando os boicotes a marcas eram uma forma de exercer pressão sobre as grandes empresas. Em um relatório recente da empresa de pesquisas Weber Shandwick sobre esse cenário em mudança, descobriu-se que 83% dos consumidores agora preferem o ativismo positivo – apoiar as empresas ao comprar delas, em vez de evitar aquelas cujas práticas discordam.

No mundo hiper conectado de hoje, onde as decisões de compra são tão influenciadas pela mídia social quanto pela publicidade, o impacto do apoio do consumidor na reputação de uma marca é imenso. E embora o ativismo do consumidor assuma muitas formas, é cada vez mais o desempenho ambiental e de sustentabilidade das empresas que os compradores estão aprimorando, com a empresa Nielsen, que avalia a percepção do consumidor, calculando um salto de quase 50% nas vendas de produtos sustentáveis em 2021, em comparação com 2014.

A AMÉRICA LATINA ASSUME A LIDERANÇA

Em seu relatório de 2019, a Nielsen concluiu que a América Latina está à frente da curva global no que diz respeito ao consumo sustentável. Um total de 85% dos consumidores latino-americanos disseram que certamente ou provavelmente mudariam seus hábitos de consumo para reduzir seu impacto no meio ambiente – contra apenas 73% globalmente.

Embora a maioria dos esforços do consumidor ainda esteja focada em ganhos tangíveis – como a seleção de produtos com embalagens recicláveis ou menos recicláveis, surgiu uma tendência crescente, onde os consumidores buscam empresas que vão ainda mais longe.

Em 2018, a empresa colombiana de alimentos Tosh tornou-se a primeira grande marca do país a ser certificada como neutra em carbono, compensando 17.000 toneladas de CO2 a cada ano ao reformular a sua marca e demonstrar suas credenciais de sustentabilidade aos clientes. Enquanto isso, a maior multinacional de cosméticos do Brasil, a Natura, controla e monitora rigorosamente todas as emissões de carbono relacionadas a seus processos de embalagem, logística, produção e transporte. E alguns anos atrás, o Chile tornou-se a sede do primeiro vinho neutro em carbono do mundo.

Esse foco na neutralidade de carbono também está começando a se infiltrar no consumo de energia corporativo. Diante da pressão dos consumidores para serem verdes e reduzir seu impacto no meio ambiente, as marcas e fabricantes multinacionais de bens de consumo que estabeleceram bases na América Latina, devem mudar sua abordagem e repensar de onde vêm suas necessidades de eletricidade.

Este é o início de uma transformação que não vai parar. Os consumidores não querem mais simplesmente produtos sustentáveis – eles querem que as empresas das quais estão comprando sejam sustentáveis em todas as suas operações corporativas. Na verdade, essa tendência é ainda mais evidente na América Latina do que em outras regiões do mundo, em grande parte porque o impacto da mudança climática já está se fazendo sentir – do derretimento das geleiras andinas a eventos climáticos extremos. Quando questionados pela LAPOP’s Americas Barometer sobre a gravidade do problema da mudança climática em seu país, 75% da população da América do Sul e 82% dos mexicanos e da população da América Central a caracterizaram como “muito grave” – em comparação com apenas 40% nos Estados Unidos e Canadá.

Esta é também uma mudança geracional – o último Relatório Global de Compradores Sustentáveis realizado pela Nielsen, mostrou que 85% dos latino-americanos que nasceram na década de 1980 e início de 1990 estão preocupados com a sustentabilidade dos processos de produção das empresas, contra 72% da geração de seus pais. E se a ascensão do ativismo climático que vimos na geração Z até agora for algo a ser visto como exemplo, essa tendência só vai continuar.

OS EVENTOS DE 2020 ACELERARAM A TENDÊNCIA

Existe, é claro, outro fator que leva ao aumento da consciência do consumidor em relação à sustentabilidade. A pandemia COVID-19 demonstrou inequivocamente a relação entre os seres humanos e o mundo natural, bem como o grau em que todos na Terra estão interligados. Como resultado, para os consumidores, a agenda da sustentabilidade ganha nova importância.

Uma pesquisa recente realizada pela empresa de consultoria BCG constatou que nove décimos dos consumidores entrevistados disseram estar tão ou mais preocupados com as questões ambientais após o surto do vírus e quase 95% disseram acreditar que suas ações pessoais poderiam ajudar a reduzir o lixo insustentável, combater as mudanças climáticas e proteger a vida selvagem e a biodiversidade. Quase um terço disse que essa crença havia se fortalecido como resultado da crise.

Entretanto, como as empresas continuam a lutar com os impactos persistentes das restrições de movimento, interrupções na cadeia de suprimentos e queda na demanda causada pela pandemia, priorizar a sustentabilidade e o desempenho ambiental é, para muitos, a última prioridade da lista.

Acreditamos que isso seria um erro. A pressão do consumidor não está desaparecendo – só está aumentando. As empresas que deixarem de lado seus esforços agora, provavelmente estarão acumulando riscos para o futuro, enquanto aquelas que optarem por se engajar novamente em iniciativas de sustentabilidade, ganharão uma vantagem competitiva distinta.

ENERGIA RENOVÁVEL – UMA ESTRATÉGIA SÓLIDA

Uma forma pragmática de alcançar o tipo de sustentabilidade que os consumidores esperam cada vez mais é observar o que pode gerar o maior impacto nas emissões de carbono. Para a grande maioria das empresas, o consumo de energia é o maior responsável e é por isso que, em toda a região, um número crescente de empresas está mudando para energias renováveis e a sociedade civil está se preparando para apoiá-las.

De fato, as empresas na América Latina têm uma vantagem comparativa em relação a muitas de suas congêneres em todo o mundo. Amplos recursos renováveis, juntamente com uma estrutura regulatória favorável em muitos países, abriram caminho para que mais e mais usuários corporativos de energia se tornem verdes.

Esse interesse crescente gerou um aumento no número de contratos corporativos de compra de energia (PPAs) para energia renovável, onde 2019 testemunhou um aumento de três vezes nos contratos assinados. Um contrato feito sob medida entre um comprador corporativo e um produtor de energia, os PPAs renováveis, permitem que as empresas comprem ou gerem energia renovável suficiente para cobrir 100% ou mais de seu uso de eletricidade ao longo do ano, permitindo-lhes garantir que a base de suas operações seja sustentável.

Nossa equipe, por exemplo, foi a primeira a implementar um PPA solar privado no Chile há cerca de oito anos e, desde então, repetimos esse sucesso no Brasil e no México. Em 2020, a Atlas Renewable Energy assinou mais de 660 MW em PPAs corporativos na América Latina, o que nos tornou o principal desenvolvedor da região por volume contratado, de acordo com a Bloomberg. À medida que as empresas se ajustam às novas demandas dos consumidores, vemos um número crescente de consultas de líderes empresariais perguntando como eles podem aproveitar a energia renovável para cumprir seus objetivos ASG (Ambientais, Sociais e de Governança). Os números são claros: de acordo com um estudo recente da Universidade de Stanford, que analisou o impacto nas emissões de carbono das empresas ao mudar para energias renováveis, uma estratégia 100% solar reduziria as emissões anuais de carbono em até 119% da pegada de carbono de uma empresa – levando a um grande salto a frente em seu desempenho ambiental.

O novo consumidor verde de hoje não quer apenas saber a origem do que compra, ou como é embalado. Eles querem ver compromissos reais das empresas de que estão fazendo tudo o que podem para minimizar o impacto no meio ambiente. A sustentabilidade não é mais um complemento, e acreditamos que uma estratégia de energia sólida com energias renováveis ​​em seu núcleo, deve ser um pilar fundamental dos esforços das empresas para responder às demandas dos consumidores.